5ª ParadaOz reúne 10 mil pessoas por uma Osasco de todas as famílias!

. “Realizar uma parada LGBTQIA+ em Osasco é extremamente importante, dado que se trata de cidade bastante conservadora, onde Bolsonaro obteve 63% dos votos”, afirma Higor da AtivOz

3 ago 2022, 17:40 Tempo de leitura: 3 minutos, 24 segundos
5ª ParadaOz reúne 10 mil pessoas por uma Osasco de todas as famílias!

Organizada pelo núcleo LGBT da Zona Oeste com apoio da AtivOz desde o primeiro momento, a 5ª Parada LGBTQIA+ de Osasco transcorreu em clima de festa e harmonia

Depois de um intervalo de onze anos, a 5ª Parada do Orgulho LGBTQIA+ de Osasco, a ParadaOz, reuniu, no último domingo de julho, cerca de 10 mil pessoas nas ruas do centro da cidade. O evento, que teve como madrinha a jogadora de vôlei Tiffany Abreu, contou com a participação de artistas locais e de várias celebridades, entre elas a drag Salete Campari, que participa da parada de

Osasco desde a primeira edição, e Tchaka, apresentadora oficial da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo. Prestigiaram o evento a vereadora Juliana Curvelo, da mandata AtivOz, a deputada federal Sâmia Bomfim e a deputada estadual Mônica Seixas, todas do PSOL e apoiadoras do movimento LGBT+ – a deputada Mônica Seixas, por exemplo, esteve presente nas duas copas LGBT+ de vôlei realizadas em Osasco, em novembro de 2021 e junho deste ano, e enviou emenda parlamentar para a realização da 1ª Copa LGBTQIA+ de futebol de Osasco, que acontecerá em novembro. “No parlamento, encontramos bastante resistência ao discutirmos temáticas LGBT+. É importante que Osasco assista a um movimento grandioso como este para se sensibilizar e implementar políticas públicas voltadas a esse público, que sofre tanta violência e invisibilidade”, afirma a vereadora Juliana Curvelo.

Sob o tema “Por uma Osasco de Todas as Famílias”, a apresentação ficou a cargo de Drag Tiffany, Fabiana Muniz e Higor Andrade. “Realizar uma parada LGBTQIA+ em Osasco é extremamente importante, dado que se trata de cidade bastante conservadora, onde Bolsonaro obteve 63% dos votos”, afirma Higor, covereador pela mandata Ativoz, do PSOL ¬ – única cadeira de oposição na Câmara dos Vereadores do município. Do poder público, os organizadores tiveram apoio da Secretaria de Cultura, da Secretaria Executiva de Promoção da Igualdade Racial e da Secretaria Executiva de Política para Mulheres e Promoção da
Diversidade.


A concentração começou por volta do meio-dia, no Largo de Osasco, onde, sob discotecagem do DJ Renan (drag Patty), houve falas de autoridades, de lideranças LGBT, de direitos humanos e do movimento negro (UNEGRO). De lá, o DJ Heitor Willian assumiu o som, e o público seguiu cerca de um quilômetro, pela rua da Estação, até a avenida Marechal Rondon – em um trajeto pensado para não incomodar moradores, hospitais e nenhum tipo de comércio. Durante o circuito, o trio elétrico oficial levou convidados e artistas. Fechando a caminhada, o bloco “Mães da Resistência”, que contou com a presença de Elizangela Salles, mãe do jogador Douglas Souza, da seleção brasileira de vôlei, foi no trio do Sindicato dos Químicos.

Estacionado na Marechal Rondon, o trio oficial se transformou em palco e, além de ouvir falas de políticos e convidados, o público se divertiu com um aulão de Fit Dance, além das performances das drags Dafny Delanos, Claudia Banhara e Lorelay Claro, e as apresentações dos artistas locais Andarilho Cha, Bruna Funari e a Locomotiva, Carol Seixas, Grandeze e Grupo VRA!,
Higor Andrade ressalta que a ParadaOz não foi apenas uma festa. Pelo fato de o Brasil ser um dos países do mundo em que mais se mata pessoas LGBT+, um evento dessa natureza representa também um movimento de resistência e luta por direitos civis, além de cobrar do Estado compromissos com a população LGBT+, desde o direito ao trabalho e à renda, passando pelo acesso à saúde pela população trans, até à obrigatoriedade de uma educação para a diversidade. “Queremos dar um basta à exclusão e ao descaso com a população LGBT+, agenda recorrente do atual governo, desde a esfera municipal até a federal. Além das famílias de pai e mãe, precisamos incluir as outras composições familiares, sempre lembrando que toda pessoa LGBT+ tem família”, finaliza o organizador.